ACESSIBILIDADE,  BRASIL

ACESSIBILIDADE EM FOZ

Antes de ler este post, se quiser, confira o passo a passo do planejamento de uma viagem como esta.

Sendo a vida como ela é, cheia de imprevistos, quebrei o meu pé esquerdo alguns dias antes da viagem, o que nos mostra que planos às vezes não passam disso mesmo: são apenas planos.

Decidimos encarar a viagem mesmo assim depois de conversarmos com a operadora local e com os atrativos sobre a disponibilidade de cadeiras de rodas. Também lemos alguns relatos positivos e reportagens sobre a acessibilidade do destino então, empacotamos duas muletas, muita boa vontade e mandamos ver!

A seguir você pode conferir um pouco sobre a nossa experiência em Foz com cadeira de rodas e muletas (e duas crianças hehehehe).

Se preferir pule direto para o que interessa:
Contornando o contratempo
Indo
Hospedagem
Voltando

Atrativos que visitamos:
Marco das Três Fronteiras
Cataratas Brasileiras
Cataratas Argentinas
Parque das Aves
Outros atrativos

Contornando o contratempo

Os dias que antecederam a viagem foram dedicados a contornar o incidente com meu pé. Liguei em todos os lugares que tínhamos intenção de visitar e em todos nos informaram que havia cadeira de rodas (disponibilizadas sem custo e por ordem de chegada) e acessibilidade, por isso, mantivemos a viagem. Online encontrei algumas revisões que também ajudaram neste sentido. Levei comigo um atestado médico, mas isto viria a ser uma precaução desnecessária. 

Contatei a Cia. aérea que me informou os procedimentos de embarque e a possibilidade de levar minhas muletas, sem custo. Este passo é muito importante, pois em alguns casos pode ser necessária uma autorização médica para o embarque (não foi o caso para minha lesão, mas é importante checar).

Neste momento a Cia. aérea incluiu uma solicitação de cadeira de rodas em minha reserva. Esta chamada “ssr” acabou impossibilitando-me de realizar o meu check-in antecipadamente, tendo ele que ser feito no balcão. Consegui garantir o do meu filho e marido com a bebê juntos na ida, 48h, sem custo. No avião a staff me ajudou a sentar ao lado deles, já que no balcão a Cia. me acomodou na primeira fileira e um senhor gentilmente se dispôs a trocar comigo.

Vale lembrar que todos estes contornos aos imprevistos chatos que eu fiz por conta, o seu agente de viagens é quem faz por você, sem cobrar nada a mais por isso!

Indo

O check-in transcorreu sem problemas, chegamos com 2h de antecedência ao nosso voo por precaução em virtude da solicitação especial em nossa reserva. E justamente por causa da cadeira de rodas, depois de feito o check-in, nos foi solicitado aguardar ao lado para que fôssemos conduzidos somente bem próximo ao horário do embarque, e de fato, no horário informado vieram nos levar até lá.

Importante ressaltar que a Infraero não permite o bebê permanecer no colo do cadeirante, ou seja, mais uma vez o despache de bagagem nos teria melhorado a vida. Os procedimentos de raio X requerem uma inspeção manual no caso de bota ortopédica e cadeira de rodas, pode ser inclusive pedido que a bota seja retirada. Nosso embarque não foi através de finger, e sim por ônibus. Como eu conseguia andar de muletas, subi e desci dos ônibus sem problemas, e também consegui subir os 5 degraus do avião. Caso isto seja inviável, há a possibilidade de utilizar a elevação robótica em tudo, o que foi sempre oferecido.

Ao chegar em Foz do Iguaçu, uma funcionária da Cia. aérea nos levou até o balcão da locadora de cadeira de rodas, mas de lá até o embarque da van fui de muletas e foi bastante cansativo, além de termos sido propositalmente ultrapassados por uma pessoa apressada (que estava atrás de nós no check-in da locadora) para pegar os últimos lugares para si e suas duas acompanhantes daquela van. Sentamos em uma muretinha e aguardamos a próxima, com duas crianças pequenas, e ela não demorou a chegar, mas inseri esta ocorrência aqui para exemplificar o que não fazer quando encontrar com uma pessoa com mobilidade reduzida. Tivemos tanta gentileza, tantas atitudes positivas, que as que foram como esta foram minoria que não merecem ser destacadas, mas sim, levar a uma reflexão, assim como foi para nós esta experiência como um todo. Dar a prioridade a pessoas que tem qualquer dificuldade de locomoção com relação a você não chega nem mesmo a igualar as condições desta pessoa no que quer que seja. Sim, você é o primeiro a entrar, mas também é o último a sair, o último a chegar. Tudo demora mais, tudo requer mais paciência, para si e para quem está junto consigo, e há limitações para tudo. Portanto, meu conselho é: seja empático e seja gentil. É o mínimo que se pode fazer.

Hospedagem

A escolha do hotel acabou sendo uma decisão maestral, já que eu viria a quebrar o pé, e o hotel sendo vertical e com elevador, facilitou muito a locomoção entre chegadas, saídas, café da manhã e etc.

Os hotéis na Avenida das Cataratas são todos bem horizontais e grandes, mais em estilo de resorts ou hotéis de lazer. As opções no Centro são prédios, por isso, acredito que a maioria tenha elevador.

Nosso hotel tinha uma belíssima piscina no topo, e para chegar até ela, um elevador especial para quem não podia subir um lance de escadas (cerca de 5 degraus). Para entrar na piscina em si não havia nada de especial mas consegui aproveitar!

Piscina do hotel

Atrativos que visitamos:

Aqui um resumo específico sobre a acessibilidade nos locais que visitamos. Para a parte turística e todas as dicas das atrações, acesse este post!

Marco das Três Fronteiras

Entre a entrada (onde se pode pegar a cadeira de rodas) e o local de desembarque do carro há uma rampa bem considerável para ir de muletas. Lá dentro a cadeira acessa quase todos os locais, mas alguns com maior dificuldade devido ao piso.

Para descontrair: quando liguei para o Marco antes de viajar para questionar se havia cadeira de rodas, a saudação telefônica do rapaz que me atendeu foi “Bilheteria, Marco das 3 Fronteiras”, eu, no piloto automático, repondi “Oi, Marco!”. Hahahahaha!

Cataratas do Iguaçu – Parque Brasileiro

Ao chegar ao parque, consegui descer perto da entrada e aguardar em um banquinho enquanto o marido estacionava e voltava. Ele buscou a cadeira de rodas, e, como tínhamos prioridade, não enfrentamos a fila para pegar o ônibus que também estava grandinha.

Ao embarcar no ônibus que leva às paradas dentro do parque, o fiz de muletas (mas o ônibus é preparado para cadeiras), e me foi informado que em todas as paradas (exceto a segunda, de início da trilha) há cadeiras de rodas disponíveis. De fato, funcionou bem, embora seja preciso aguardar um pouco para que lhe busquem a cadeira ou caminhar um pouco para ir até o local com as muletas, quem assim puder.

Em todos os locais de embarque de ônibus tivemos prioridade de acesso, inclusive vi equipe do parque pegando pessoas com bebês de colo na fila também voluntariamente para prioridade.

A última parada, que dá acesso à passarela, elevador panorâmico e restaurante é toda acessível com rampas (embora em alguns locais do mirante ao lado do elevador haja pontos específicos para a cadeira circular, pois no mais ela é feita de uma grade larga onde as rodas empacam).

Para subir o elevador, já que era nossa única opção, também tivemos prioridade e não enfrentamos a fila imensa. Com muita gente no parque ficou bem difícil transitar com a cadeira, então optei por ficar no mirante próximo ao elevador enquanto o marido e as crianças faziam a passarela, porém ela é toda rampada e acessível e cadeirantes conseguem sim ir até lá. Muita gente com carrinho de bebê também desistiu de fazer a passarela (ao menos naquele momento) devido a quantidade de gente.

A primeira parada, do Macuco Safari, também é acessível e inclusive o passeio é totalmente apto a cadeirantes. Eu optei por ficar com a nossa bebê na salinha de espera, já que achamos ela muito pequena para a experiência. Importante ressaltar que o banheiro ali não é adaptado.

A segunda parada, que é o início da trilha, não é adaptada, mas cadeirantes conseguem ir pelo menos bater a foto pois a descida até este primeiro mirante é rampada.

Cataratas del Iguazu – Parque Argentino

Porque eu estava de muletas, nos foi permitido parar em frente à entrada para meu desembarque, onde aguardei em um banquinho enquanto o marido estacionava e voltava. Dali, fui de muletas até as catracas e lá dentro já me foi pedido para aguardar ao lado que um carrinho de golfe me levaria até a estação do trem – que é o que conduz internamente os visitantes do parque até os pontos de interesse. Era permitido um acompanhante no carrinho.

O condutor foi pegar os tickets para o trem, que funciona por ordem de chegada, e você já sai dali com o horário marcado. Sabendo que eu estava com o marido (que seguiu a pé), já organizou para pegarmos o mesmo ticket para o mesmo horário. Ao embarcar no trem, com um lembrete do marido à equipe do parque, tivemos prioridade em todas as estações.

Alguns dos trens têm espaço específico para levar o cadeirante, em outros, não (então pessoas como eu que usam as cadeiras nas paradas apenas, nesta hora, sentam-se nos próprios bancos do trem). Também em cada parada há cadeiras especialmente desenvolvidas para o parque, com rodas bem largas. Estas cadeiras não possibilitam ao cadeirante se locomover sozinho, mas são bem melhores para quem os está empurrando. Dá para ter uma ideia abaixo.

As passarelas são largas e as emendas causam um solavanco, por isso, deve-se atentar para não machucar as costas de quem está na cadeira. O parque argentino é todo bem adaptado à pessoas com dificuldade de locomoção, porém, é tudo bem distante, então a quem empurrará a cadeira é necessário uma dose extra de força! Para a trilha até a Garganta somente são 2km ida e volta. Não testamos as outras duas trilhas, mas uma delas é também 100% adaptada, enquanto a outra tem algumas partes de escada. Há mapas na entrada do parque que indicam tudo isso bem certinho para o seu planejamento.

É importante notar que as cadeiras do parque estão sujeitas à disponibilidade. Ele estava bem cheio (havia 8mil pessoas)  e quando retornamos da trilha, havia uma pessoa aguardando uma cadeira para faze-la.

Parque das Aves com experiência Backstage

De novo há cadeira de rodas disponível para esta atração e pude fazer tudo com ela, porém deve-se notar que por vezes o terreno é muito acidentado, há rampas bem íngremes, rústicas, de aramado e madeiras, onde não é fácil de se locomover, mas a equipe do parque dá um jeitinho, então, este também é um passeio possível para pessoas com dificuldades de locomoção (inclusive o Backstage). Esta abaixo nem é das piores.

Outras opções de Passeio:

Não estivemos em outras atrações de Foz, mas com relação ao shopping e o duty free, ambos também dispõem de cadeira de rodas!

A volta

Mais uma vez nos preparamos para chegar ao aeroporto com mais de duas horas de antecedência para nos precavermos quanto a imprevistos e questões relacionadas ao pé quebrado.

A solicitação especial continuava nos impedindo de fazer o check-in antecipado e eu não consegui poltronas juntas para os demais. Fiquei preocupada, pois seria inviável viajarmos todos separados, crianças pequenas inclusive. Por isso acionei o pessoal da operadora com o qual eu comprei o pacote, sabendo bem da dificuldade que teriam em arrumar poltronas juntas com antecedência (mesmo quando há boa vontade de todos os lados, às vezes não conseguimos resolver estas questões antecipadamente). Para minha gratíssima surpresa, conseguiram, e não tivemos nenhum estresse ao embarcar no retorno.

Chegando a Curitiba, me levaram de cadeira até a van do estacionamento.

Considerações finais

O destino é muito bem preparado em termos de acessibilidade, e a solicitude do povo ajuda ainda neste quesito. Dá para curtir!

Para saber mais sobre as atrações, veja o nosso relato de viagem, e também o passo a passo de nosso planejamento.

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